Nascente percurso do córrego lobo voçoroca próximo ao córrego liso
Uberlândia, 14 de agosto de 2008.
Uma das grandes mudanças ocorridas na organização social deste século foi o acelerado crescimento das cidades. Esse crescimento desordenado traz sérios problemas para o espaço urbano principalmente no que se refere aos impactos ambientais causados pela urbanização como os loteamentos, impermeabilização, etc. Com o aumento do grau de urbanização aumenta também em proporção à degradação ambiental decorrente da concentração da população nas áreas urbanas.
Além das perdas referentes à devastação da vegetação natural gerando desconforto térmico e desarmonia paisagística, temos ainda a fuga da fauna local, e a interferência na dinâmica das microbacias hidrográficas urbanas tendo como principal conseqüência o desenvolvimento da erosão hídrica como ravinas, voçorocas e erosão marginal.
A cidade de Uberlândia - MG é um exemplo desse modelo de desenvolvimento, onde além da saída da população rural do campo observa-se também a vinda de habitantes de municípios vizinhos na busca de melhores condições de vida aumentando o seu contingente populacional sem uma planificação adequada.
Alguns estudos já foram realizados e indicam que a área urbana de Uberlândia está inserida em uma categoria de erosão com susceptibilidade erosiva moderada. Dentro desse contexto, é possível observar a ocorrência de processos de erosão acelerada na maioria das cabeceiras dos córregos não canalizados das microbacias urbanas (Córrego Lagoinha, do Óleo e Lobo), assim como em todo o município. Com o desenvolvimento dos processos erosivos (ravinas e voçorocas) pode-se observar a formação de bancos arenosos na foz das microbacias comprometendo a dinâmica fluvial do rio responsável pelo abastecimento de água para população. Essas voçorocas comprometem ainda a população que habita seu entorno, pois em alguns casos pode haver o solapamento do terreno, e algumas dessas voçorocas são usadas como depósito de lixo e entulho colaborando para o desenvolvimento, de animais peçonhentos, insetos e doenças epidemiológicas como dengue e cólera. Alguns estudos vêm alertando para este problema que se alastra pelo município tanto em proporções espaciais como na velocidade dos processos já instalados.
Com a expansão da malha urbana e, portanto a necessidade cada vez maior de espaços habitáveis, e a criação de uma legislação ambiental mais rígida, faz se necessário desenvolver estudos sobre a ocorrência destes processos em Uberlândia a fim de se fazer cumprir a legislação já existente e ainda apontar medidas preventivas e de contenção apropriadas.
Neste contexto, o objetivo geral deste trabalho foi identificar a ocorrência de processos de erosão hídrica na área urbana de Uberlândia. Tem ainda como objetivos específicos: verificar a relação do crescimento urbano com a degradação ambiental, identificar as áreas onde já estão sendo feitas medidas de contenção e analisar estas medidas. Com essa pesquisa foi possível entender melhor a dinâmica dos processos erosivos em todo município verificando e comparando seu comportamento em áreas rurais e urbanas.
Os estudos sobre erosão hídrica devem partir da análise da origem dos processos. Quando somente os resultados do processo erosivo são levados em consideração, quase sempre as medidas de contenção não são eficazes. Isso ocorre porque deve-se trabalhar no sentido de entender o fenômeno pela sua dinâmica processual e, a partir daí, trabalhar com essas origens a fim de estabelecer procedimentos para o controle o monitoramento de resultados.
Voçoroca do Córrego Liso
A sub-bacia do córrego Liso com seus afluentes localiza-se no setor urbano de Uberlândia, sendo o córrego Liso o principal curso em extensão dessa sub-bacia, que percorre no sentido leste-oeste com aproximadamente 5.000 metros de extensão, recebendo como afluente o córrego Buritizinho com 2.250 metros e o córrego Lobo (ou Carvão) com 1.500 metros de extensão. A sub-bacia do córrego Liso ocupa uma área aproximada de 14,60 Km 2, representando aproximadamente 7,73% da área urbana do município de Uberlândia. O caso dessa voçoroca já se apresenta de forma diferenciada do caso citado anteriormente.
Localizada na nascente do córrego Liso, essa voçoroca foi iniciada principalmente devido à ausência de planejamento no povoamento dessa área.
Nas décadas de 70 e 80 foram construídos vários conjuntos habitacionais na área (Jardim Brasília, Maravilha, Vila Satélite, Jardim Metrópole, etc.) Essas construções levaram a uma impermeabilização intensa e acelerada facilitando o escoamento superficial pluvial dando origem à voçoroca.
Além disso, também houve uma concentração das águas pluviais oriundas da região do entorno da ferrovia que passa naquele local. As baixas declividades facilitaram o povoamento. Ao longo do córrego observa-se a presença de solos hidromórficos sendo que as águas correm sobre uma face argilosa de arenitos ou de materiais alterados do basalto. Nas laterais pode-se observar a presença de ravinas também causadas pelo escoamento superficial pluvial.
A área de uma das nascentes do córrego Liso foi aterrada, sobre a qual passa rua Pedro Quirino da Silva. A situação ainda se agrava já que sobre esta mesma nascente havia até julho de 1998 uma Central de Entulhos, que apenas recentemente foi desativada. A área próxima à nascente atualmente encontra-se cercada, e uma parte dos entulhos foi retirada do local, mas a grande maioria ainda permanece, comprometendo assim a qualidade da água, do solo e da própria vegetação.
Algumas soluções para a contenção:
· realização de estudos geotécnicos dobre a área devido aos eventos de subsistência;
· continuidade da ocupação por chácaras incentivando a plantação de vegetação estabilizadora;
· obras de microdrenagem para a construção da água do escoamento superficial pluvial;
· seleção entre lixo e entulho nos casos em que este esteja sendo utilizado como método de estabilização.
Algumas técnicas de contenção de voçorocas
Outras técnicas poderiam ter sido utilizadas por prejudicarem menos o meio ambiente, porém o poder público optou por um método mais ineficiente, porém mais barato. Para a escolha de um método mais adequado de contenção é necessário analisar os dados relativos à dinâmica da voçoroca e à vazão em seu interior para então poder iniciar os projetos propriamente ditos.
Durante a elaboração dos projetos é importante lembrar que devido às alterações que ocorrem nas voçorocas os projetos precisam ser flexíveis para que as obras possam ser constantemente adaptadas. Deve-se ainda considerar que cada voçoroca é um caso à parte, daí a dificuldade de generalização de soluções. Os aspectos que devem ser contemplados em um projeto de contenção de erosão constam do disciplinamento das águas superficiais, disciplinamento das águas subsuperficiais e estabilização dos taludes da voçoroca.
No disciplinamento das águas superficiais deve-se captar as águas da chuva e do esgoto e conduzi-las até local adequado onde a energia dessa água possa ser dissipada. As estruturas criadas para a condução da água são formadas por canais ou tubulações dimensionadas à partir do cálculo da vazão das águas formando uma rede de galerias e emissários. Os materiais podem ser de alvenaria ou aço, porém deve-se prever um tempo de desgaste deste material. O conhecimento das características geotécnicas do terreno também é essencial, uma vez que toda estrutura deve levar em conta a topografia, o lençol freático, etc. O primeiro passo é o cadastramento da voçoroca para o levantamento de todas as suas
características. Para cadastramento sugere-se a utilização de uma ficha elaborada pelo IPT (1989) que contempla se modo geral as características básicas de uma voçoroca. Após o cadastramento da voçoroca parte-se para o disciplinamento das águas como foi explicitado anteriormente. Além da condução das águas é necessário dissipar sua energia para diminuir sua velocidade. Os dissipadores de energia funcionam basicamente através do impacto do jato d’água em um defletor vertical suspenso, através de vertedores em queda ou ainda estruturas mistas.
Os vertedores podem também ser acoplados a obras de represamento propiciando o assoreamento do fundo da voçoroca à montante do represamento. As obras de represamento constituem-se de pequenas barragens ou diques construídos no interior da voçoroca com a finalidade de reter a energia da água e promover o assoreamento. Os materiais utilizados podem ser madeiras, sacos de solo-cimento e de concreto. É necessário calcular bem o volume e vazão para não haver o subdimensionamento da obra.
O disciplinamento das águas subsuperficiais é um pouco mais complicado. A ação subsuperficial é a principal responsável pelo desenvolvimento lateral das paredes da voçoroca. . Quando a voçoroca atinge o lençol freático, os mecanismos de erosão são intensificados principalmente através da liquefação do material arenoso pela lenta percolação d’água junto à parede da voçoroca, ocorrendo a diminuição da coesão do solo e consequentemente solapamento do talude. Para a contenção deste tipo de processo o método mais eficaz já estudado é o dreno que pode ser de vários tipos como o dreno com material sintético geotextil, dreno cego e o dreno de bambu. (IPT, 1989)
Após o disciplinamento das águas, a fase seguinte é a estabilização de taludes que é feita geralmente através da revegetação dos taludes com espécies apropriadas. Depois de concluídas asobras é necessário um monitoramento técnico periódico para que todo o trabalho não seja prejudicado com a evolução natural da paisagem.
Durante a realização de trabalhos de campo foram realizadas entrevistas informais com moradores nas proximidades das áreas degradadas, principalmente nos córregos Liso, Buriti, Lagoinha e Óleo. Foi possível verificar que há realmente uma necessidade de se promover uma educação ambiental, pois a falta de informação faz com que as pessoas achem que a prefeitura, ao aterrar as voçoroca com o entulho esta “limpando” a cidade.
Porém quando se expõe a idéia de transformar as áreas degradadas em áreas de lazer a população passa a entender que existem outras possibilidades ecologicamente mais corretas que podem melhorar a qualidade de vida desta população. A idéia que a população tem sobre os aterros é de crescimento, evolução e desenvolvimento, porém, como as obras não são monitoras as áreas continuam desprezadas com o lixo e entulho depositados à céu aberto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A essência do planejamento ambiental urbano é a busca de máxima eficiência na ocupação do espaço, que deve, sobretudo, minimizar os custos sociais dos empreendimentos para uma realidade em constante mutação. Não se trata de otimizar soluções para um período relativamente curto como ocorre em uma obra de engenharia ou arquitetura. No planejamento, os critérios de otimização têm um caráter social e mudam com o tempo, em função das mudanças sociais e da interferência dos próprios planos.
Um plano jamais poderá ser considerado definitivo, o que nega a própria metodologia do planejamento, essencialmente dinâmica. Para elaboração de um planejamento ambiental mais eficiente e dinâmico é necessário que se leve em consideração a legislação ambiental nas várias esferas (federal, estadual e municipal), no que diz respeito a alguns pontos em destaque, como poluição, fontes poluidoras, a recursos hídricos e preservação de nascentes e remanescentes da vegetação nativa, observação da delimitação das Áreas de Preservação Permanente (APP’s), e destinação de resíduos sólidos (lixo e entulhos).
Em termos gerais esta questão é parte de um processo maior que faz parte da ideologia predominante do modelo capitalista. Dentro do referido sistema, tudo pode ser vendido para a obtenção de lucro inclusive o meio ambiente e a qualidade de vida do homem.
A ausência de uma visão integradora tendo como unidade de planejamento a bacia hidrográfica compromete a qualidade de vida da população residente na periferia, já que a população mais abastada pode pagar para obter um certo conforto.
A cidade de Uberlândia necessita caminhar muito no que se refere à política ambiental essencialmente democrática, isto é, sem privilegiar somente algumas esferas da população.
Em resumo, a realização da pesquisa foi importante por possibilitar uma visão mais crítica sobre a realidade do planejamento ambiental e urbano. Também fica clara a necessidade de um maior envolvimento da população nas questões ambientais seja através de projetos de educação ambiental ou de associações de bairro que lutem por um meio ambiente mais saudável.
Uberlândia, 14 de agosto de 2008.
Uma das grandes mudanças ocorridas na organização social deste século foi o acelerado crescimento das cidades. Esse crescimento desordenado traz sérios problemas para o espaço urbano principalmente no que se refere aos impactos ambientais causados pela urbanização como os loteamentos, impermeabilização, etc. Com o aumento do grau de urbanização aumenta também em proporção à degradação ambiental decorrente da concentração da população nas áreas urbanas.
Além das perdas referentes à devastação da vegetação natural gerando desconforto térmico e desarmonia paisagística, temos ainda a fuga da fauna local, e a interferência na dinâmica das microbacias hidrográficas urbanas tendo como principal conseqüência o desenvolvimento da erosão hídrica como ravinas, voçorocas e erosão marginal.
A cidade de Uberlândia - MG é um exemplo desse modelo de desenvolvimento, onde além da saída da população rural do campo observa-se também a vinda de habitantes de municípios vizinhos na busca de melhores condições de vida aumentando o seu contingente populacional sem uma planificação adequada.
Alguns estudos já foram realizados e indicam que a área urbana de Uberlândia está inserida em uma categoria de erosão com susceptibilidade erosiva moderada. Dentro desse contexto, é possível observar a ocorrência de processos de erosão acelerada na maioria das cabeceiras dos córregos não canalizados das microbacias urbanas (Córrego Lagoinha, do Óleo e Lobo), assim como em todo o município. Com o desenvolvimento dos processos erosivos (ravinas e voçorocas) pode-se observar a formação de bancos arenosos na foz das microbacias comprometendo a dinâmica fluvial do rio responsável pelo abastecimento de água para população. Essas voçorocas comprometem ainda a população que habita seu entorno, pois em alguns casos pode haver o solapamento do terreno, e algumas dessas voçorocas são usadas como depósito de lixo e entulho colaborando para o desenvolvimento, de animais peçonhentos, insetos e doenças epidemiológicas como dengue e cólera. Alguns estudos vêm alertando para este problema que se alastra pelo município tanto em proporções espaciais como na velocidade dos processos já instalados.
Com a expansão da malha urbana e, portanto a necessidade cada vez maior de espaços habitáveis, e a criação de uma legislação ambiental mais rígida, faz se necessário desenvolver estudos sobre a ocorrência destes processos em Uberlândia a fim de se fazer cumprir a legislação já existente e ainda apontar medidas preventivas e de contenção apropriadas.
Neste contexto, o objetivo geral deste trabalho foi identificar a ocorrência de processos de erosão hídrica na área urbana de Uberlândia. Tem ainda como objetivos específicos: verificar a relação do crescimento urbano com a degradação ambiental, identificar as áreas onde já estão sendo feitas medidas de contenção e analisar estas medidas. Com essa pesquisa foi possível entender melhor a dinâmica dos processos erosivos em todo município verificando e comparando seu comportamento em áreas rurais e urbanas.
Os estudos sobre erosão hídrica devem partir da análise da origem dos processos. Quando somente os resultados do processo erosivo são levados em consideração, quase sempre as medidas de contenção não são eficazes. Isso ocorre porque deve-se trabalhar no sentido de entender o fenômeno pela sua dinâmica processual e, a partir daí, trabalhar com essas origens a fim de estabelecer procedimentos para o controle o monitoramento de resultados.
Voçoroca do Córrego Liso
A sub-bacia do córrego Liso com seus afluentes localiza-se no setor urbano de Uberlândia, sendo o córrego Liso o principal curso em extensão dessa sub-bacia, que percorre no sentido leste-oeste com aproximadamente 5.000 metros de extensão, recebendo como afluente o córrego Buritizinho com 2.250 metros e o córrego Lobo (ou Carvão) com 1.500 metros de extensão. A sub-bacia do córrego Liso ocupa uma área aproximada de 14,60 Km 2, representando aproximadamente 7,73% da área urbana do município de Uberlândia. O caso dessa voçoroca já se apresenta de forma diferenciada do caso citado anteriormente.
Localizada na nascente do córrego Liso, essa voçoroca foi iniciada principalmente devido à ausência de planejamento no povoamento dessa área.
Nas décadas de 70 e 80 foram construídos vários conjuntos habitacionais na área (Jardim Brasília, Maravilha, Vila Satélite, Jardim Metrópole, etc.) Essas construções levaram a uma impermeabilização intensa e acelerada facilitando o escoamento superficial pluvial dando origem à voçoroca.
Além disso, também houve uma concentração das águas pluviais oriundas da região do entorno da ferrovia que passa naquele local. As baixas declividades facilitaram o povoamento. Ao longo do córrego observa-se a presença de solos hidromórficos sendo que as águas correm sobre uma face argilosa de arenitos ou de materiais alterados do basalto. Nas laterais pode-se observar a presença de ravinas também causadas pelo escoamento superficial pluvial.
A área de uma das nascentes do córrego Liso foi aterrada, sobre a qual passa rua Pedro Quirino da Silva. A situação ainda se agrava já que sobre esta mesma nascente havia até julho de 1998 uma Central de Entulhos, que apenas recentemente foi desativada. A área próxima à nascente atualmente encontra-se cercada, e uma parte dos entulhos foi retirada do local, mas a grande maioria ainda permanece, comprometendo assim a qualidade da água, do solo e da própria vegetação.
Algumas soluções para a contenção:
· realização de estudos geotécnicos dobre a área devido aos eventos de subsistência;
· continuidade da ocupação por chácaras incentivando a plantação de vegetação estabilizadora;
· obras de microdrenagem para a construção da água do escoamento superficial pluvial;
· seleção entre lixo e entulho nos casos em que este esteja sendo utilizado como método de estabilização.
Algumas técnicas de contenção de voçorocas
Outras técnicas poderiam ter sido utilizadas por prejudicarem menos o meio ambiente, porém o poder público optou por um método mais ineficiente, porém mais barato. Para a escolha de um método mais adequado de contenção é necessário analisar os dados relativos à dinâmica da voçoroca e à vazão em seu interior para então poder iniciar os projetos propriamente ditos.
Durante a elaboração dos projetos é importante lembrar que devido às alterações que ocorrem nas voçorocas os projetos precisam ser flexíveis para que as obras possam ser constantemente adaptadas. Deve-se ainda considerar que cada voçoroca é um caso à parte, daí a dificuldade de generalização de soluções. Os aspectos que devem ser contemplados em um projeto de contenção de erosão constam do disciplinamento das águas superficiais, disciplinamento das águas subsuperficiais e estabilização dos taludes da voçoroca.
No disciplinamento das águas superficiais deve-se captar as águas da chuva e do esgoto e conduzi-las até local adequado onde a energia dessa água possa ser dissipada. As estruturas criadas para a condução da água são formadas por canais ou tubulações dimensionadas à partir do cálculo da vazão das águas formando uma rede de galerias e emissários. Os materiais podem ser de alvenaria ou aço, porém deve-se prever um tempo de desgaste deste material. O conhecimento das características geotécnicas do terreno também é essencial, uma vez que toda estrutura deve levar em conta a topografia, o lençol freático, etc. O primeiro passo é o cadastramento da voçoroca para o levantamento de todas as suas
características. Para cadastramento sugere-se a utilização de uma ficha elaborada pelo IPT (1989) que contempla se modo geral as características básicas de uma voçoroca. Após o cadastramento da voçoroca parte-se para o disciplinamento das águas como foi explicitado anteriormente. Além da condução das águas é necessário dissipar sua energia para diminuir sua velocidade. Os dissipadores de energia funcionam basicamente através do impacto do jato d’água em um defletor vertical suspenso, através de vertedores em queda ou ainda estruturas mistas.
Os vertedores podem também ser acoplados a obras de represamento propiciando o assoreamento do fundo da voçoroca à montante do represamento. As obras de represamento constituem-se de pequenas barragens ou diques construídos no interior da voçoroca com a finalidade de reter a energia da água e promover o assoreamento. Os materiais utilizados podem ser madeiras, sacos de solo-cimento e de concreto. É necessário calcular bem o volume e vazão para não haver o subdimensionamento da obra.
O disciplinamento das águas subsuperficiais é um pouco mais complicado. A ação subsuperficial é a principal responsável pelo desenvolvimento lateral das paredes da voçoroca. . Quando a voçoroca atinge o lençol freático, os mecanismos de erosão são intensificados principalmente através da liquefação do material arenoso pela lenta percolação d’água junto à parede da voçoroca, ocorrendo a diminuição da coesão do solo e consequentemente solapamento do talude. Para a contenção deste tipo de processo o método mais eficaz já estudado é o dreno que pode ser de vários tipos como o dreno com material sintético geotextil, dreno cego e o dreno de bambu. (IPT, 1989)
Após o disciplinamento das águas, a fase seguinte é a estabilização de taludes que é feita geralmente através da revegetação dos taludes com espécies apropriadas. Depois de concluídas asobras é necessário um monitoramento técnico periódico para que todo o trabalho não seja prejudicado com a evolução natural da paisagem.
Durante a realização de trabalhos de campo foram realizadas entrevistas informais com moradores nas proximidades das áreas degradadas, principalmente nos córregos Liso, Buriti, Lagoinha e Óleo. Foi possível verificar que há realmente uma necessidade de se promover uma educação ambiental, pois a falta de informação faz com que as pessoas achem que a prefeitura, ao aterrar as voçoroca com o entulho esta “limpando” a cidade.
Porém quando se expõe a idéia de transformar as áreas degradadas em áreas de lazer a população passa a entender que existem outras possibilidades ecologicamente mais corretas que podem melhorar a qualidade de vida desta população. A idéia que a população tem sobre os aterros é de crescimento, evolução e desenvolvimento, porém, como as obras não são monitoras as áreas continuam desprezadas com o lixo e entulho depositados à céu aberto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A essência do planejamento ambiental urbano é a busca de máxima eficiência na ocupação do espaço, que deve, sobretudo, minimizar os custos sociais dos empreendimentos para uma realidade em constante mutação. Não se trata de otimizar soluções para um período relativamente curto como ocorre em uma obra de engenharia ou arquitetura. No planejamento, os critérios de otimização têm um caráter social e mudam com o tempo, em função das mudanças sociais e da interferência dos próprios planos.
Um plano jamais poderá ser considerado definitivo, o que nega a própria metodologia do planejamento, essencialmente dinâmica. Para elaboração de um planejamento ambiental mais eficiente e dinâmico é necessário que se leve em consideração a legislação ambiental nas várias esferas (federal, estadual e municipal), no que diz respeito a alguns pontos em destaque, como poluição, fontes poluidoras, a recursos hídricos e preservação de nascentes e remanescentes da vegetação nativa, observação da delimitação das Áreas de Preservação Permanente (APP’s), e destinação de resíduos sólidos (lixo e entulhos).
Em termos gerais esta questão é parte de um processo maior que faz parte da ideologia predominante do modelo capitalista. Dentro do referido sistema, tudo pode ser vendido para a obtenção de lucro inclusive o meio ambiente e a qualidade de vida do homem.
A ausência de uma visão integradora tendo como unidade de planejamento a bacia hidrográfica compromete a qualidade de vida da população residente na periferia, já que a população mais abastada pode pagar para obter um certo conforto.
A cidade de Uberlândia necessita caminhar muito no que se refere à política ambiental essencialmente democrática, isto é, sem privilegiar somente algumas esferas da população.
Em resumo, a realização da pesquisa foi importante por possibilitar uma visão mais crítica sobre a realidade do planejamento ambiental e urbano. Também fica clara a necessidade de um maior envolvimento da população nas questões ambientais seja através de projetos de educação ambiental ou de associações de bairro que lutem por um meio ambiente mais saudável.

Nenhum comentário:
Postar um comentário